A maioria das pessoas não consegue viver sem o relógio. Estão sempre de olho nos ponteiros, calculando horas, minutos e distâncias. Eu já vivi assim. Na época da faculdade saía bem cedo de casa para a aula. De lá, seguia para o estágio. Depois para a capoeira. Chegava em casa às 22h. O relógio, sempre comigo.
Quando minha filha nasceu, fiz algumas opções na minha vida. Uma delas, trabalhar como autônoma. Assim conquistei mais tempo para a família e o relógio não tem mais o peso de 11 anos.
Claro, ele está ali, no canto direito inferior da tela do meu computador. Porém, com menos frequência em meu pensamento, apesar da responsabilidade que tenho com compromissos.
Ontem fui na casa da minha irmã-por-opção – amiga da minha infância mais remota. Fiquei olhando a Iaiá, sobrinha linda de três aninhos. Lembrei de quando nasceu, da primeira vez que a vi. Tão pequenina. Quando me despedi do Yan, o sobrinho mais velho, percebi como o guri cresceu. Outro dia foi sozinho numa festinha! E, de repente, me vi com ele no colo no dia que nasceu. E pensei neste tempo de crescimento, de desenvolvimento da criança, da vida. A tranformação.
E ali, do meu lado, minha irmã grávida de 8 meses. O tempo de gestação. Por vezes parece lento. Quando nasce, parece rápido. Mas vivemos cada instante de um coração que bate, junto ao nosso. E dentro de nós.
O relógio atende à rotina. A vida não precisa de relógios. O tempo está em nós. No crescimento de uma criança, nos fios de cabelo branco, nas rugas que aos poucos aparecem. Quantas vezes ouvimos as pessoas falarem para nossos filhos: “ela está enorme! Como passa rápido! Estou ficando velho”. Sentimos assim a partir do referencial do outro, e não do relógio.
Sem olhar os ponteiros, aguardo a chegada da minha nova sobrinha. Que venha com saúde e muito amor!
“És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho. Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido. Tempo, tempo, tempo, tempo.
Compositor de destinos, tambor de todos os rítmos. Tempo, tempo, tempo, tempo, entro num acordo contigo.Tempo, tempo, tempo, tempo.
Por seres tão inventivo e pareceres contínuo. Tempo, tempo, tempo, tempo, és um dos deuses mais lindos.Tempo, tempo, tempo, tempo.
Que sejas ainda mais vivo, no som do meu estribilho. Tempo, tempo, tempo, tempo, ouve bem o que te digo. Tempo, tempo, tempo, tempo.
Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso.Tempo, tempo, tempo, tempo, quando o tempo for propício.Tempo, tempo, tempo, tempo.
De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido. Tempo, tempo, tempo, tempo e eu espalhe benefícios.Tempo, tempo, tempo, tempo.
O que usaremos prá isso, fica guardado em sigilo.Tempo, tempo, tempo, tempo. Apenas contigo e comigo.Tempo, tempo, tempo, tempo.
(…)”
Caetano Veloso

Maria Vargas disse,
05/06/2009 @ 1:43
Amo essa música! Acho q. ele fez qdo o filho dele, Zeca, nasceu, hoje quase um homem.
Tempo = praga da vida contemporânea.
Saudades…
Camila Furtado disse,
07/09/2009 @ 17:54
Olá! Vim conhecer seu blog, indicada pelo João Luiz. Adorei seus escritos, acompanharei sempre. Tem um selo esperando por você lá no blog Autores S/A e também foi uma indicação do João. Parabéns por este cantinho especial! Bjs!