Bloco do eu sozinho no meio da multidão

Passou a vida esperando a vida adulta. E ela chegou com marido, filha e a rotina da mulher contemporânea.

Arrumar a casa, lavar a roupa para depois passar, cozinhar, lavar louça, arrumar a cozinha para depois sujar de novo, fazer compras, entre outras coisitas. Mas isto não é muito grave quando você pode contratar alguém para cuidar desta parte. Para isso, precisa trabalhar.

Então você tem que se dedicar, fazer um bom trabalho, conhecer pessoas novas, estudar,  se especializar e, de vez em quando, engolir alguns sapos.

E vai dividindo o tempo para também estar com a filha, dar e receber carinho e sentir no coração que todo o esforço é recompensado pela presença deste pedacinho seu. O companheiro não pode ser apenas o pai, tem que ser marido. E também requer cuidados especiais. Carinho, atenção, comidinha na mesa, roupa passada e afins.

Dentro do pacote, estão os cuidados com si mesma. Fazer as unhas, depilação, cortar o cabelo, se vestir bem. A alimentação tem que ser equilibrada e o corpo precisa de exercícios, então se vira nas 24 horas para ter disciplina. Sem esquecer dos dois litros, no mínimo, de água.

Amigos e familiares também precisam de atenção. E são bem-vindos. Os seus, os do companheiro e, em breve, os amiguinhos de sua filha.

Importante! Os problemas de seus pais têm outro peso quando você tem mais de 30 anos e outro tipo de compreensão das coisas da vida.

Até que um dia o marido demonstra uma insatisfação, a filha lhe trata com indiferença, os amigos lhe cobram uma atitude, os familiares iniciam uma guerra fria. Sem esquecer da ligação do cliente no domingo, às 22h30.

E você segura um furo com o dedo da mão esquerda, o da direita segura outro, os pés entram com um suporte e você vai dando o seu jeito. Examina se estas cobranças vêm de dentro ou de fora, se estas obrigações são reais ou ilusórias. Se é humanamente possível viver esta rotina sem se estressar. Sem encontrar na pele as marcas de cada pressão, de cada culpa, de cada decisão.

Onde está o erro? No volume das obrigações ou na maneira como me relaciono com elas?

Qual é o peso de seus problemas? A medida é sua ou dos outros?

O que é relevante para você?

São algumas perguntas que permeiam este texto na esperança de encontrar um fio de energia para tocar pra frente a rotina que começa amanhã.

Boa noite e boa semana.

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Oração ao tempo

A maioria das pessoas não consegue viver sem o relógio. Estão sempre de olho nos ponteiros, calculando horas, minutos e distâncias. Eu já vivi assim. Na época da faculdade saía bem cedo de casa para a aula. De lá, seguia para o estágio. Depois para a capoeira. Chegava em casa às 22h. O relógio, sempre comigo.

Quando minha filha nasceu, fiz algumas opções na minha vida. Uma delas, trabalhar como autônoma. Assim conquistei mais tempo para a família e o relógio não tem mais o peso de 11 anos.

Claro, ele está ali, no canto direito inferior da tela do meu computador. Porém, com menos frequência em meu pensamento, apesar da responsabilidade que tenho com compromissos.

 Ontem fui na casa da minha irmã-por-opção – amiga da minha infância mais remota. Fiquei olhando a Iaiá, sobrinha linda de três aninhos. Lembrei de quando nasceu, da primeira vez que a vi. Tão pequenina. Quando me despedi do Yan, o sobrinho mais velho, percebi como o guri cresceu. Outro dia foi sozinho numa festinha! E, de repente, me vi com ele no colo no dia que nasceu. E pensei neste tempo de crescimento, de desenvolvimento da criança, da vida. A tranformação.

 E ali, do meu lado, minha irmã grávida de 8 meses. O tempo de gestação. Por vezes parece lento. Quando nasce, parece rápido. Mas vivemos cada instante de um coração que bate, junto ao nosso. E dentro de nós.

 O relógio atende à rotina. A vida não precisa de relógios. O tempo está em nós. No crescimento de uma criança, nos fios de cabelo branco, nas rugas que aos poucos aparecem. Quantas vezes ouvimos as pessoas falarem para nossos filhos: “ela está enorme! Como passa rápido! Estou ficando velho”. Sentimos assim a partir do referencial do outro, e não do relógio.

Sem olhar os ponteiros, aguardo a chegada da minha nova sobrinha. Que venha com saúde e muito amor!

“És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho. Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido. Tempo, tempo, tempo, tempo. 

Compositor de destinos, tambor de todos os rítmos. Tempo, tempo, tempo, tempo, entro num acordo contigo.Tempo, tempo, tempo,  tempo.

Por seres tão inventivo e pareceres contínuo. Tempo, tempo, tempo,  tempo, és um dos deuses mais lindos.Tempo, tempo, tempo,  tempo.

Que sejas ainda mais vivo, no som do meu estribilho. Tempo, tempo, tempo,  tempo, ouve bem o que te digo. Tempo, tempo, tempo,  tempo.

Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso.Tempo, tempo, tempo,  tempo, quando o tempo for propício.Tempo, tempo, tempo,  tempo.

De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido. Tempo, tempo, tempo,  tempo e eu espalhe benefícios.Tempo, tempo, tempo,  tempo.

O que usaremos prá isso, fica guardado em sigilo.Tempo, tempo, tempo,  tempo. Apenas contigo e comigo.Tempo, tempo, tempo,  tempo.

(…)”

Caetano Veloso

Para ler a letra completa, clique aqui.

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Ter ou não ter?

Um dos meus sonhos de infância era ter um cachorro. E este era o pesadelo da minha mãe. Ela dizia: “entra por uma porta, eu saio pela outra“. Até que um dia, com uns 16 anos, li um anúncio no prédio sobre a venda de um filhote. Fui até o apartamento e me apaixonei. Não lembro muito bem como consegui, só sei que minha mãe aceitou e todos ficaram encantados com aquele pedacinho de vira-lata (Husky Siberiano com Pastor Canadense).

O tempo passou e ele cresceu. Muito. Temperamental e estabanado, era complicado passear com ele em horários de muito movimento na rua. Era dócil, contudo rosnava para todos os cachorros. Era forte e sofríamos para segurá-lo na coleira. Tentamos de tudo! Quando chamamos um adestrador, achamos que seria a solução perfeita. Quando o rapaz chegava ele fazia tudo. Dava patinha, fingia de morto, rolava. Era outro cão. Mas quando ele se afastava, voltava a ser o mesmo de sempre.

Em dois anos, a situação ficou bem complicada. Eu estudava para vestibular e não tinha tempo de passear com ele o tanto que era preciso. Porém, não estava nos meus planos ficar longe dele. Depois de algumas intimações de meus pais – “ou muda, ou ele vai embora” – ele se foi para a casa da diarista que trabalhava lá em casa. E todos os meses eu ia até visitá-lo. Sofri muito, e meus pais também, com essa separação. Nesta época tive a primeira crise de psoríase. Mas superei. 

Entendo o pensamento dos meus pais porque não era fácil conviver com um cachorrão daquele tamanho num apartamento. Contudo, penso que faria diferente. Mas este post não é para julgá-los – porque sei que a intenção não era me ver sofrer. É sim para defender que as pessoas devem pensar MUITO antes de  escolher um animal de estimação. Eles são fofos e companheiros. Mas demandam dedicação e cuidado. E penso que é importante ter essa disponibilidade/ disposição para se doar.

Recebi um e-mail de uma amiga sobre a cadela Kyra (linda!), que precisa de um dono. A história é super triste e trouxe inspiração para este post. Atualmente não tenho condição de adotar um cão. Mas quando tiver, quero procurar uma destas instituições para doar carinho para estes bichinhos que tanto precisam.

Para ler sobre a Kyra clique aqui.

Se quiser auxiliar, escreva paraadote@sosvidaanimal.com.br

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Mentirinhas

Mentira tem perna curta. Uma das frases que mais ouvi quando era criança. E também a que mais comprovei como verdadeira. 

Na infância, mordia a própria mão e chorava fingindo para minha mãe que tinha sido vítima do meu irmão mais velho. Mentira sem vergonha.

Na adolescência era uma fuga. Uma maneira de esconder sentimentos, até mesmo de mim. Mentira inocente.

Aos 20 e poucos anos, tinha medo de falar a verdade e chatear os outros. Me sentia culpada por não querer estar numa festa e pronto, lá estava novamente inventando uma historinha. Mentirinha branca, como costumam dizer.

 Algum tempo depois desisti de usar estes artifícios em meus relacionamentos. Porque mentir nunca é bom. E isso não significa que temos que sair por aí soltando o verbo, falando a verdade, doa a quem doer. É preciso ter cuidado com o outro, respeitar a sua maneira de ver as coisas. E acreditem! É possível viver sem mentiras! 

 Hoje tenho uma motivação maior para evitar a mentira. Uma filha de 2 anos que copia tudo o que faço. Não tenho a ilusão que ela nunca mentirá, mas não quero deixar este exemplo para ela. Quero que tenha confiança em si para assumir com responsabilidade seus pensamentos e atos.

Vejo claramente que certos comportamentos são programados dentro de nós, por experiências vividas anteriormente. É como um vício. A pessoa mente. Mente tanto que já nem sente. E aos poucos se contradiz… 

Desprogramar leva um tempo contudo é possível e vale a pena.  Falar a verdade para os outros é mais fácil que encontrar a sua própria verdade.

É aí que o bicho pega… Mas um dia a gente chega lá!

 

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Apenas mais um terceiro domingo de maio

A vida após a maternidade se transforma. Em vários níveis. Em vários sentidos. Para mim uma das mudanças mais relevantes foi a maneira de enxergar minha família. Em especial minha mãe. Desde o nascimento da minha filha passei a respeitá-la mais procurando ter paciência com nossas diferenças. Um sentimento de gratidão pela minha vida. Pela criação.

 Quando iniciei neste novo mundo, pensei de imediato que a comemoração do Dia das Mães seria um momento mágico, de reconhecimento, de fortes emoções. Contudo percebo hoje, véspera de meu terceiro dia das mães, que datas especiais são mais relevantes para o comércio do que propriamente para as homenageadas. Ok, é legal assistir às propagandas na TV e se sentir especial. Se emocionar com a foto na vitrine de uma loja que transmite o sentimento deste amor maior. Porém nem sempre é possível fazer do segundo domingo de maio um dia do jeitinho que você quer.

No meu caso, especificamente, datas assim são geralmente cercadas de tensão com duas semanas de antecedência. Tem a minha mãe e a mãe de meu marido. Tem a minha avó e a avó do meu marido. E todas as outras mães que fazem parte da família. E todas querendo um pedacinho de exclusividade. Alguém tem que ceder. Como sou a mais recente das mães, cedo eu.

Em algumas casas isso não acontece. Algumas pessoas são mais maleáveis e desprendidas deste tipo de relação. E é isso que quero para minha vida. Compreender qual é o verdadeiro valor das coisas. Por que sofrer por uma data como esta? Durante 365 dias por ano sou mãe. Que se cobra em ser justa, amiga e sincera. Que busca ensinar bons valores, educar. Que pensa em dar uma vida confortável e cercada de amor. Que diariamente recebe beijos e carinhos de um pedacinho de gente. E ouve as palavrinhas encantadas: eu amo você. Que é feliz por ser mãe.

Cresci ouvindo minha mãe dizer, nos segundos domingos de maio, quando ganhava um presente, um beijo, um parabéns: todo dia é dia das mães. E hoje, na posição de mãe, concordo perfeitamente.

Desejo a todas as mães que sejam felizes nos 365 dias do ano. Que diariamente possam olhar para seus filhos e sentir gratidão por estarem neste lugar.

Especial para minha mãe. Há 30 anos, e alguns meses, somos mãe e filha. Há dois anos, e alguns meses, passamos a ser também avó e mãe. E, neste curto intervalo de tempo, transformei minha admiração e gratidão por ser você a minha mãe. O amor permanece na mesma medida, porém sentido de outra maneira agora que sei o que é ser mãe. Sou muito feliz por ter você em minha vida. Feliz Dia das Mães… todos os dias!

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